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Cinco passos para aumentar o prestígio do professor

ideia | 7 Agosto 2018

Equipe Ideação*

No Brasil, apenas 5% dos jovens de 15 anos querem ser professores, em comparação com 21% que pensam em se tornar engenheiros no futuro. No Peru, menos de 3% pretendem seguir na carreira docente enquanto 32% querem se tornar engenheiros. Na Coréia do Sul e na Espanha, países onde a docência é valorizada, os números aumentam significativamente, cerca de 25% e 20% dos jovens querem lecionar, respectivamente. A conclusão é simples e direta: é preciso valorizar o docente na região.

Os números são da pesquisa “Profissão professor na América Latina: Por que a docência perdeu o prestígio e como recuperá-lo?”. A publicação aborda os desafios enfrentados pelos docentes e propõe soluções para colocar os professores em um lugar de maior reconhecimento.

A primeira boa notícia que o livro traz é que sim, existem formas de recuperar o prestígio do docente. A segunda é que ao longo da última década, foram registrados importantes avanços na cobertura do ensino médio. Entre 2006 e 2014, por exemplo, a taxa de escolarização líquida do ensino médio aumentou em mais de 12 pontos percentuais no Brasil, na Costa Rica e no Equador.

Contudo, ainda temos um longo caminho a percorrer no tocante à melhoria da educação por meio dos educadores. Foi pensando nisso, que selecionamos cinco soluções, apontadas no estudo, que traçam uma rota rumo ao aumento do prestígio dos profissionais docentes.

1 – Fortalecer programas de pedagogia e de educação

Atualmente, o magistério é uma carreira de “refúgio”. Apesar de muitos estudantes de ensino médio não demonstrarem interesse nessa formação, quase 20% dos universitários no Brasil são estudantes de Educação. Muitos acabam buscando o magistério para ter um curso de educação superior de baixo custo, com baixa seletividade, e muitos participam de programas de ensino a distância que não tem tanta regulamentação. Nesse contexto, é importante que os padrões de educação do professor sejam elevados.

2 – Melhoria de salários

Essa não é apenas uma constatação do estudo, mas uma luta perene dos professores, especialmente os brasileiros. Embora o aumento de salário não traga resultados num curto espaço de tempo, no futuro o investimento possibilitará o aumento da capacidade de atrair bons estudantes para a pedagogia. O estudo aponta dois bons exemplos: Colômbia e México têm salários muito competitivos.

3 – Reconhecer os melhores professores

Outro caminho é fomentar uma carreira docente por meio do reconhecimento dos profissionais que mais se destacam. Uma ideia é implementar avaliações vinculadas ao desempenho, à experiência, e aos títulos acumulados durante a carreira. Embora não haja nenhuma evidência de que a obtenção de mais títulos aumente o desempenho na carreira do professor em sala de aula, é um método objetivo de avaliação de desempenho. O que se sabe é que há um problema no Brasil e na região de falta de prática nos programas de formação docente. Por isso é importantíssimo estimular que os professores estejam sempre em busca de renovação e atualização profissional.

4 – Preparar melhor os professores iniciantes

O treinamento de um professor exige tempo e, principalmente, prática docente durante a formação inicial. Entretanto, isso não parece ocorrer de forma satisfatória na América Latina. No Brasil, há uma preocupação particular com o crescimento da formação docente a distância. O fato é que as instituições que oferecem esse tipo de formação não possuem qualidade satisfatória para preparar um professor para iniciar suas atividades em sala de aula.  Muitos cursos a distância apresentam improvisação no conteúdo pedagógico, na infraestrutura de apoio e no acompanhamento dos estudantes

5 – Melhorar estruturas precárias

Muitas vezes a infraestrutura das escolas na região é deficiente em relação a equipamentos e laboratórios, e até mesmo em termos de serviços básicos. Outro fator importante é a localização das escolas, muitas estão localizadas em áreas rurais remotas ou violentas e as gratificações que os professores recebem para trabalhar nessas áreas não são suficientes para atraí-los.

Leia o estudo na íntegra

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