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O que dizem os dados abertos sobre integração e desenvolvimento da América Latina e Caribe?

ideia | 20 Fevereiro 2017

Paula Alzualde*

Os dados abertos gerados pelo INTAL Latinobarómetro combinam a voz dos latino-americanos com estatísticas nacionais. Estes dados abertos são complementados em um relatório com infográficos dinâmicos e análises de especialistas em matéria de comércio e integração.

Assim, ao colocar a análise de mais de vinte mil pesquisas exclusivas realizadas em dezoito países da América Latina em contraste com as estatísticas nacionais, surge uma potente ferramenta para o desenho de estratégias de desenvolvimento.

A seguir estão algumas das conclusões destacadas dos dados abertos do INTAL Latinobarómetro.

1. 77% dos latino-americanos apoiam a integração econômica

Os latino-americanos compartilham de um enorme consenso para aprofundar os processos de integração. Na região, o máximo de apoio a integração econômica chega a 89% e o mínimo a 59%, refletindo a clara vocação integracionista de muitos países, e marcando uma característica distinta em relação a outras regiões. Em um mundo onde as tendências protecionistas cobram protagonismo, os latino-americanos apostam na integração.

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Além disso, 71% dos latino-americanos asseguram que os capitais externos são benéficos para as economias domésticas, enquanto 15% acreditam que são prejudiciais. A demanda por uma maior integração cobra mais força dos países que tem suas exportações mais concentradas (em termos de quantidade de produtos) e que tem firmado menos acordos comerciais.

Acesse aqui os dados e visualizações sobre integração.

 

2. Esporte, turismo e alimentos confirmam os pilares da “Marca América Latina”

57% dos latino-americanos acreditam que o resto do mundo reconhece seu país a partir das realizações esportivas. Turismo segue com 53% e alimentos 38%. Festas carnavalescas 31% e violência 31% aparecem como etiquetas frequentes que se atribuem a “Marca América Latina”.

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Em geral, a marca país coincide com as características objetivas das economias nacionais. Repensar como escalar posições na avaliação internacional de cada um dos diversos itens é fundamental para apontar o processo de diversificação exportadora. Uma marca país consolidada somada a uma boa reputação brinda um incentivo aos empreendedores locais e facilita a abertura de novos mercados.

Acesse aqui os dados e as visualizações sobre marca país.

 

3. Um em cada quatro latino-americanos acham que a inovação é prioritária para o desenvolvimento

A inovação é um item muito valorizado pelos latino-americanos. Nos diversos aspectos da vida cotidiana – a educação dos filhos, a criatividade no trabalho ou a mesmo nível de país –, a inovação teve um apoio superior a nove pontos em uma escala de um a 10.

Neste sentido, 48% dos latino-americanos acreditam que as inovações impactam positivamente o cuidado com a saúde. Seguido de 45% a luta contra as mudanças climáticas e apenas 25% acreditam que reduzirão as desigualdades sociais.

Por sua vez, os dados acima mostram-se relevantes em matéria comercial, tendo em vista que são os países que dão mais apoio à inovação os que realizam exportações com maior conteúdo tecnológico. A correlação entre ambas variáveis é positiva e crescente a 0,46. É por isso que falamos de inovação que, longe de ser estranho aos processos de integração, está cada vez mais associado a eles.

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Acesse aqui os dados e as visualizações sobre inovação.

 

 4. 49% dos latino-americanos acreditam que o meio ambiente é importante para o desenvolvimento

O desafio de proteger o meio ambiente abarca de forma transversal distintas arestas das políticas públicas, desde as técnicas de produção até a reciclagem, desde a geração de energia até a logística e o transporte.

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Acesse aqui os dados e as visualizações vinculadas ao meio ambiente na região.

 

**Post publicado originalmente em espanhol no blog do BID, Abierto al Público

*Paula Alzualde é licenciada em Relações Públicas com 20 anos de experiência em comunicação, grande parte em projetos de tecnologia. Há 5 anos deixou o setor privado para se unir ao terceiro setor e desenvolver alianças com impacto social. Já desenvolveu projetos de urbanização e finanças inclusivas em populações em situação de vulnerabilidade. Um de seus principais objetivos dentro do terceiro setor tem sido o de desenvolver alianças estratégicas entre ONGs, governo e setor privado. Já foi Coordenadora Regional de Desenvolvimento América Latina, iniciativa que convoca 16 países da região para desenvolver aplicações tecnológicas com fins sociais que por sua vez utilizem e ponham a disposição dados abertos.

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