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Investimento de Impacto: 5 pontos para entender a evolução dessa indústria no Brasil nos últimos anos

ideia | 14 Março 2017

Rebeca Rocha e Rob Parkinson*

Apesar da pobreza no Brasil ter diminuído significativamente nos últimos anos, a desigualdade e a vulnerabilidade ainda persistem para milhões de brasileiros. O surgimento de novos negócios com soluções para reduzir essas lacunas aumenta o interesse dos investidores por apoiar essas ideias. É o caso do “investimento de impacto”, modalidade que tem como objetivo gerar impactos socioambientais positivos e mensuráveis além de retorno financeiro, e que vem ganhando espaço no mercado brasileiro, segundo dados divulgados pela Aspen Network of Development Entrepreneurs (ANDE), que vem estudando esse tipo de investimento no Brasil desde 2011. Listamos aqui cinco pontos que percebemos da evolução do investimento de impacto no Brasil:

1.O setor tem crescido, mas num ritmo inferior ao esperado.

Os dados mais recentes, de 2016, mostram um crescimento contínuo de novos investidores nos últimos anos. Atualmente 29 investidores de impacto atuam no país.

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O total de recursos disponíveis para investimentos no Brasil é estimado em US$ 186 milhões, valor maior comparado com os dados de 2014, mas ainda muito inferior aos US$ 392 milhões disponíveis no México, por exemplo. Foram relatados 48 investimentos no Brasil ao longo de 2014 e 2015, com valor total de US$70 milhões. O valor médio por investimento, “ticket médio”, foi de US$1,45 milhão, um aumento de 30% entre 2014 e 2016.

2. Educação, Saúde e Serviços Financeiros são os setores preferidos para investimento, mas novos setores estão ganhando relevância, como agricultura.

Entre os quatro setores que mais receberam investimentos aparecem saúde, educação e inclusão financeira. A novidade nessa versão do estudo foi o setor de agricultura, em segundo lugar no número de investimentos (veja tabela) e em primeiro no volume investido, com total de US$ 31 milhões.

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3. O setor precisa de mais investidores no estágio inicial dos negócios.

A falta de capital disponível para as empresas no estágio inicial foi citada como um dos principais gargalos para o crescimento do investimento de impacto no país. Para preencher essa lacuna, há cada vez mais interesse no tema por parte dos investidores-anjo, que buscam oportunidades de investimento com impacto positivo na sociedade.

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4. As fontes de investimento de impacto são diversas.

De aceleradoras a fundações, o grupo de investidores é diverso. Entre os novos entrantes ao mercado, destacamos os institutos e fundações, que enxergam no investimento de impacto o potencial de complementar suas doações na realização da sua missão social.

5. A crise econômica não assustou os investidores de impacto, mas os forçou a pensar em novas maneiras de colaborar.

Os investidores brasileiros estão otimistas: no momento do estudo, esperavam captar US$ 269 milhões só em 2016. Além disso, o estudo aponta que querem um ecossistema cada vez maior e mais integrado. Nesse sentido, já temos exemplos de investidores criando parcerias com incubadoras e aceleradoras de negócios, para aumentar as chances de sucesso das suas apostas. Outro exemplo é a Força Tarefa de Finanças Sociais, que conecta investidores, empresas, sociedade civil e governo para identificar gargalos no campo, criar e pilotar soluções. Em meio ao cenário atual de turbulência na economia e nas políticas sociais, precisamos dessas novas estratégias e alianças para viabilizar negócios de impacto socioambiental positivo.

 

Rebeca Rocha é gerente da ANDE no Brasil e coautora das últimas edições do mapeamento de investimento de impacto. Atua com empreendedorismo desde 2010. Integra o hub São Paulo dos Global Shapers do Fórum Econômico Mundial. Jornalista pela Universidade Católica de Pernambuco e mestranda em Globalisation, Business & Development no Institute of Development Studies, Reino Unido.

Rob Parkinson é consultor na área de empreendedorismo de impacto, e trabalha atualmente para a ANDE no Brasil e o Instituto de Cidadania Empresarial. Atua há oito anos junto a aceleradoras, investidores, universidades e fundações. Economista pela University of Nottingham (Reino Unido).

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