A violência doméstica, além de prejudicar a saúde física e mental da mulher, gera também outro impacto: afeta negativamente a saúde da criança.
Essa é a conclusão de um estudo recente publicado pelo BID, que analisou 83.000 dados estatísticos de cinco países da América Latina e Caribe representando um universo de aproximadamente 26,3 milhões de mulheres.
O estudo mostra que há uma relação negativa entre violência doméstica e a saúde da criança. Os efeitos começam já durante a gravidez. Mulheres grávidas vítimas da violência doméstica tem menos probabilidade de realizar as necessárias cinco visitas pré-natais. O filhos dessas mulheres tem uma maior probabilidade de ter sofrido diarreia nos últimos 15 dias e eles tendem a ter um peso menor.
Os efeitos vão além do curto prazo. O estudo também mostra que filhos de mulheres abusadas tem menos probabilidade de receberem vacinas, principalmente a do sarampo. Além disso, filhos de mulheres que sofrem violência doméstica tendem a ser mais baixos do que crianças de lares onde não há abuso.
Os resultados mostram que o impacto da violência doméstica afeta o desenvolvimento infantil e, consequentemente, o futuro desse indivíduo. Em grande escala, isso representa um problema muito sério para o desenvolvimento econômico e social de um país. Eis mais um forte argumento para o desenvolvimento de uma política pública abrangente de combate à violência doméstica, como argumentamos em nosso artigo na semana passada.
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