Seguridad Vial

Somos Todos Pedestres: Lições Aprendidas do Forum de Segurança de Pedestres

* Por Bella Dinh-Zarr

Recentemente, o National Transportation Safety Board (NTSB) realizou o seu I Fórum sobre a Segurança dos Pedestres. Junto com especialistas em transportes de nossa agência tive a oportunidade de moderar uma discussão interessante com os líderes do governo, acadêmicos, comunidades locais e com a indústria de transporte sobre o aumento dos riscos de morte e ferimento enfrentados pelos pedestres.

Sem dúvida, a segurança dos pedestres é um problema que afeta a todos e a cada um de nós. Não importa quem somos ou onde vivemos, se nos movemos a pé ou se nos movemos numa cadeira de rodas – somos pedestres em pelo menos uma parte de nossos deslocamentos diários.

Em 2030, espera-se que pelo menos 70% da população mundial viva em áreas urbanas e suburbanas, então, eu acho que não poderia haver melhor hora de nos concentrarmos sobre esta importante forma de mobilidade. Os pedestres são os nossos usuários mais vulneráveis do sistema de transporte e esta questão está se tornando uma nova prioridade para muitas agências de segurança nacional, incluindo a NTSB nos Estados Unidos, bem como campanhas internacionais como a Década de Ação para Segurança na Estrada, da ONU.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 270.000 pedestres perdem a vida a cada ano em todo o mundo. Na América Latina e no Caribe, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) estima que mais de 23.500 pedestres são mortos anualmente devido a acidentes de trânsito. De acordo com o sistema de informação e análise de mortes norte-americanas (Fatality Analysis Reporting System ou FARS), cerca de 4.800 pedestres morreram e 65.000 ficaram feridos nas vias públicas dos Estados Unidos em 2014. Este valor equivale a uma morte e 14 feridos a cada duas horas. Estes números não incluem as pessoas que morreram ou ficaram feridas nas passarelas, calçadas, estacionamentos e locais de trabalho. Segundo a Associação de Governadores pela Segurança de Rodovias dos Estados Unidos, entre 2009 e 2014 o número de pedestres mortos em acidentes aumentou 15%. Este número continua aumentando, mesmo nos anos em que as mortes por acidentes de trânsito com veículos a motor mantiveram-se estáveis ou mesmo diminuíram. Os pedestres estão cada vez mais em risco de morte ou lesão e já representam um em cada sete mortes causadas por acidentes de trânsito nos EUA.

Embora o Fórum de Segurança de Pedestres tenha se concentrado em atividades nos EUA, muitas das lições compartilhadas são aplicadas ao resto do mundo. O Fórum analisou os dados e tendências recentes das políticas de planejamento urbano, projetos de estradas e medidas tecnológicas corretivas. De acordo com especialistas do Fórum, precisamos ser mais específicos a fim de compreendermos melhor as circunstâncias em que ocorrem acidentes com pedestres, incluindo dados de localização, geometria e ângulo de impacto, a velocidade e a presença de potenciais distrações.

Os dados que temos mostram que acidentes entre pedestres são uma das principais causas de morte entre os jovens com menos de 15 anos. É particularmente trágico que, em alguns países, tais acidentes são a principal causa de morte em crianças em idade escolar, muitos quando eles estão a caminho da escola. Para abordar esta questão, o Segundo Fórum Internacional sobre Segurança Rodoviária Infantil foi realizado entre 16 e 17 de junho de 2016, em Santiago do Chile, e se concentrou especificamente sobre a segurança das crianças pedestres. Na reunião, a Fundação Gonzalo Rodriguez, organizadora do evento, divulgou um estudo encomendado pela FedEx, intitulado “Transporte Escolar: Situação Atual e Oportunidades de Melhoria”. A medida que nos aproximamos do Dia Internacional de Caminhar até à Escola, no próximo 05 de outubro de 2016, é importante lembrar a importância de prestar especial atenção aos pedestres mais vulneráveis entre os vulneráveis, as crianças.

Plano de Prevenção

Mortes e lesões de pedestres podem ser prevenidas por meio do planejamento urbano e projetos das estradas para dar prioridade aos pedestres e veículos que na sua concepção levam em conta a segurança dos pedestres. Os painelistas deste Fórum apresentaram projetos inovadores de estradas, incluindo estradas medianas e ilhas para a faixa de pedestres tanto em áreas urbanas como suburbanas, balizas híbridas para os pedestres e outras medidas que permitam reconfigurar nossas ruas para que sejam mais seguras para os pedestres, enquanto a mobilidade dos veículos é mantida. Muitas das ideias apresentadas refletem as filosofias da iniciativa Visão Zero, um conceito de segurança rodoviária nascido na Suécia e adotado em todo o mundo, ou Ruas Completas, um exemplo de projeto inclusivo que reconhece que as estradas devem responder à necessidades de todos os usuários, e não apenas as dos carros.

A tecnologia foi outra área em que o Fórum se concentrou. De acordo com um perito federal dos EUA, 90% de todos os acidentes de pedestres podem ser mitigados ou prevenidos através da incorporação de tecnologias de detecção de pedestres em veículos. Esta tecnologia ajuda veículos detectarem pedestres e freiarem automaticamente caso haja risco de impacto. Também os faróis de veículos e uma melhor iluminação da estrada podem evitar tais acidentes. Ao melhorar a visibilidade global, os motoristas são capazes de detectar melhor os pedestres à noite, que é quando a maioria dos acidentes ocorrem com fatalidade. Outras medidas de mitigação, tais como pára-choques e capôs macios ou airbags para pedestres, podem salvar vidas porque em caso de acidente reduzem a gravidade dos ferimentos.

Você pode acessar as apresentações dos painelistas aqui (http://www.ntsb.gov/news/events/Pages/2016_pedestrian_FRM.aspx).

Uma das questões que surgiram durante as discussões foi o fato de que se nos concentrarmos sobre as vítimas mais vulneráveis (crianças, idosos e pessoas em cadeiras de rodas ou com outros problemas de mobilidade) será possível melhorar a segurança de todos os pedestres. Proteger os mais vulneráveis é certamente uma boa escolha, tanto no transporte quanto na vida.

* Este texto também foi publicado no site NTSB.gov. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) recebeu permissão do NTSB para reproduzi-lo no site da Moviliblog. Esta autorização não constitui um endosso pelo BID ou Moviliblog por parte do NTSB.

* Bella Dinh-Zarr é vice-presidente do National Transportation Safety Board (NTSB), uma agência federal independente do governo dos EUA, responsável pela investigação de acidentes e promoção da segurança do transporte. Dinh-Zarr tem formação científica em Saúde Pública e atuou anteriormente como diretora para os Estados Unidos da Fundação FIA, onde promoveu a Década de Ação para Segurança Viária das Nações Unidas e a defesa da segurança do transporte como uma prioridade política a nível nacional e internacional. Dinh-Zarr foi nomeada para o NTSB em 2015 pelo presidente Barack Obama e confirmada pelo Senado dos EUA.

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