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Meninas e ciências: 3 formas de apoiar as engenheiras do futuro

ideia | 25 Julho 2016

meninas e ciência (Custom)

Andrea Monje*

Meses atrás realizei uma apresentação para especialistas de infraestrutura sobre a importância de promover uma maior participação feminina em postos técnicos do setor. Do palco, eu pude notar que me escutavam com interesse, mas compartilhavam a mesma duvida: “O que podemos fazer se não há mulheres engenheiras suficientes para preencher estas posições?”. Não é a primeira vez que isto ocorre e duvido que seja a última.

Infelizmente, esta pergunta surge frequentemente porque temos um problema: a participação das mulheres em carreiras ligadas a ciência, tecnologia, engenharia e matemática (CTIM) é extremadamente baixa. Por exemplo, no Chile e na Colômbia a proporção de mulheres pesquisadoras nas áreas de engenharia e tecnologia é de 21% e 19%, respectivamente. Estes dados me levam a pensar que ainda que seja importante seguir fomentando empregos para agregar mais mulheres nessas áreas, é vital que também façamos um maior esforço em fomentar o amor pelas ciências nas meninas desde a infância.

Os estereótipos de gênero e o viés inconsciente de nossas sociedades levam as meninas a perder o interesse por essas áreas desde pequenas. Além disso, a falta de modelos femininos para se inspirarem faz com que pensem que estas carreiras são apenas para homens. No entanto, há atualmente muitas iniciativas que buscam despertar o interesse das meninas nas CTIM. Aqui há três:

icon1Jogos de meninas
É importante envolver as meninas nas CTIM desde pequenas, e que maneira melhor que fazendo com que as ciências sejam um jogo? Existem marcas de brinquedos infantis que buscam desenvolver nas meninas uma paixão pela construção e engenharia.

A empresa Goldieblox, por exemplo, ficou famosa por um comercial durante o Super Bowl no qual as meninas juntavam seus brinquedos tradicionais para montar um foguete espacial. Os brinquedos desta marca não só ajudam a desenvolver as habilidades motoras e espaciais, como também vêm acompanhados de histórias e vídeos que buscam inspirar a futura geração de engenheiras.

 

icon2Carreiras que fazem a diferença
Uma das razões pelas quais as meninas perdem o interesse pelas CTIM é por falta de informação. Nomomento de escolher a carreira, as mulheres querem fazer diferença nas suas comunidades (não por nada estão sobre-representadas nas áreas sociais), mas não sabem que as ciências podem ajuda-las a atingir este objetivo. Expô-las a estes empregos relacionados com as CTIM é uma boa forma de trazê-las para estas áreas desde cedo.

E existem muitos programas desenhados para que as meninas possam entender, em primeira mão, de que se tratam as ciências. Por exemplo, a Microsoft tem um programa mundial (também presente em vários países da América Latina) chamado DigiGilrz Day, pelo qual meninas do ensino médio realizam exercícios ligados a tecnologia, interatuam com empregados da companhia e recebem assistência para planejar suas carreiras.

icon3Modelos femininos
Ainda que seja certo que haja menos mulheres que homens nas CTIM, não se pode negar que sim há mulheres. Expor as meninas a estes modelos femininos é importante para que se identifiquem com pessoas que são como elas e saibam que o setor não é somente para homens.

Por exemplo, na escola muitas poucas vezes escutamos sobre mulheres que contribuíram para as ciências, e falar sobre elas pode inspirar as nossas meninas. Programas de mentoria como o da NASA colocam as jovens em contato com engenheiras, cientistas ou matemáticas para introduzi-las às CTIM.

Espero que graças a este tipo de iniciativas, em alguns anos a falta de mulheres nas CTIM não seja um problema. E, no seu lugar, se falem mais sobre todas as contribuições que as futuras engenheiras, hoje meninas, farão para as nossas sociedades.

 

*Andrea Monje Silva é consultora da Divisão de Gênero e Diversidade do BID, onde apoia a integração dos temas de gênero em projetos de infraestrutura (água e saneamento, energia e transporte).

2 comentários

  • Maria Ximena Hincapie :

    Interesante. Pero como ingeniera electronica puedo decirles que faltan factores por analizar con respecto al numero de ingenieras que continuan sus estudios y luego trabajan en ingenieria. Habria que sacar este tipo de indicadores y analizarlos. Muchas veces no es falta de informacion, ni de interes por la ciencias, ni de programas para la infancia. Muchas veces son los cargos, ambientes y condiciones laborales que son muy diferentes dentro de la ciencia y la tecnologia que en otros ambitos. Desafortunadamente muchas veces estos entornos no llenan las expectativas de las mujeres.

    • Andrea Monje :

      Muchas gracias por tu comentario Maria Ximena Hincapie y por tomarte el tiempo de leer el post. Estoy totalmente de acuerdo contigo, muchas mujeres ingenieras abandonan sus carreras porque el ambiente de trabajo no es propicio para ellas (problemas con los horarios de trabajo, viajes frecuentes, condiciones de trabajo), especialmente cuando son madres. Desarrollar políticas que busquen retener a mujeres es fundamental para que estos sectores continúen siendo competitivos y atraigan a la mitad de la fuerza laboral (al fin y al cabo 50% de la población somos mujeres). En este post me enfoque en las niñas y adolescentes porque los números demuestras que todavía ellas prefieren elegir los sectores “tradicionalmente femeninos”. Mis colegas de la división de Innovación elaboran un poco más el tema en este post: http://blogs.iadb.org/puntossobrelai/2016/01/14/561/ . Pero tendré en cuenta el tema que comentas para un próximo post. Saludos!

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