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Como o Brasil pode melhorar seu desempenho no Pisa?

ideia | 4 Dezembro 2013

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Foto: Agência Brasil

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) acaba de divulgar os resultados de 2012 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), uma pesquisa trienal que avalia o nível de conhecimento de alunos de 15 anos de idade. Apesar de ter sido o país que mais avançou, desde 2003, em matemática, o Brasil ficou apenas na 58ª posição do ranking de 65 países nesse quesito. Xangai, na China, ficou com o primeiro lugar não só em matemática, mas também em ciências e leitura, as outras duas áreas avaliadas pelo Pisa.

Em matemática, o Brasil fez 391 pontos, bem abaixo da média, de 494. A pontuação brasileira só foi melhor que a de Argentina, Tunísia, Jordânia, Colômbia, Catar, Indonésia e Peru. Já em ciências, cuja pontuação média foi 501, o Brasil obteve 405 pontos, o segundo pior resultado entre os latino-americanos (somente o Peru teve desempenho inferior). Por fim, em leitura, o Brasil registrou 410 pontos, contra média de 496; entre os latino-americanos, só Argentina e Peru marcaram menos pontos.

O que fazer para mudar esse quadro? De acordo com a OCDE, o Brasil precisa buscar maneiras mais efetivas de trabalhar com os alunos de baixo desempenho e de lidar com a questão da repetência. Entre os estudantes de 15 anos de idade, 36% já repetiram de série pelo menos uma vez. “Perder o ano”, como muitas vezes se diz no país, é comum entre os alunos de condições menos privilegiadas e acaba contribuindo não só com o sentimento de que não se pode aprender (desmotivação) como também resulta em desistência escolar. Estão armadas então as condições que perpetuam um ciclo vicioso: baixa renda, baixo desempenho escolar, desmotivação, repetência e desistência.

Para Marcelo Alfaro Perez, especialista em educação do BID, o Brasil precisa encontrar maneiras de usar dados como os do Pisa para melhorar a gestão dos programas de educação e promover um ensino mais engajado, atento às necessidades dos alunos e ao nível de proficiência de cada um deles. “O Brasil tem ferramentas de avaliação educacionais muito sofisticadas”, explica o especialista, referindo-se a testes e provas semelhantes ao Pisa que são conduzidos tanto pelo governo federal quanto pelos estados. “Agora é preciso um trabalho complementar, que utilize esses dados para que se mude a realidade”, finaliza.

Raio-X do Brasil no Pisa 2012

  • 61% dos estudantes brasileiros tem baixo desempenho em ciências. No melhor cenário, eles são capazes de apresentar explicações que são óbvias. Meninos e meninas tem desempenho semelhante em ciências, o que também se verifica entre os outros países avaliados pela OCDE;
  • Em leitura, metade dos alunos do país tem desempenho abaixo do nível básico, o que significa que, no melhor dos casos, eles são capazes de reconhecer o principal tema de um texto ou proposta de um autor. A pontuação média das meninas em leitura supera a dos meninos em 31 pontos;
  • 67% dos alunos tem baixo desempenho em matemática. No melhor dos mundos, eles conseguem extrair informações de uma única fonte e usar algoritmos básicos ou fórmulas para resolver problemas. A pontuação média dos meninos supera a das meninas em 18 pontos;
  • 1,9% dos estudantes brasileiros que estão em condições socioeconômicas desfavoráveis conseguem superá-las e ter desempenho escolar acima do que se espera deles.  A OCDE chama esses alunos de resilientes. Entre os países da OCDE, os resilientes somam 26%.

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