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América Latina e Caribe são líderes em energia renovável

ideia | 28 Julho 2016

energia renovavel - america latina

Christine Lins, Ariel Yepez e Arnaldo Vieira de Carvalho*

**O relatório com as principais conclusões de 2016 também  publicado em português.

O relatório REN21 sobre o Estado Mundial de Energia Renovável 2016 indica que diversos países da América Latina e do Caribe continuam a apresentar as mais elevadas taxas de participação de energia renovável do mundo. O relatório Estado Mundial de Energia Renovável é o documento internacional publicado anualmente e é o mais citado sobre  mercado,  indústria e políticas globais de energia renovável. O relatório é publicado pelo Secretariado da REN21 desde 2005, que conta com uma rede de 700 especialistas em energia renovável, acesso à energia e eficiência energética que compartilham coletivamente sua visão e conhecimento. Os relatórios REN21 podem ser baixados aqui, e estão disponíveis em vários idiomas.

A América Latina e o Caribe permanecem à frente na utilização de processos competitivos para selecionar quais projetos de energia renovável devem ser instalados, com licitações e leilões muito bem sucedidos atraindo recordes de participação. Vários países – incluindo o Brasil, Chile, México e Peru – tiveram muito êxito em seus processos licitatórios em 2015 e no início de 2016, resultando em preços mais baixos a nível mundial para a energia contratada, devido em parte aos vastos recursos de energia renovável que a região dispõe.

O Brasil foi o terceiro do mundo em geração de eletricidade a partir de energia renovável em 2015, depois da China e dos Estados Unidos, enquanto a Costa Rica gerou 99% de sua eletricidade com recursos renováveis e o Uruguai 92,8%, sendo que neste caso 15,5% foi proveniente de energia eólica.

O Brasil foi o segundo país do mundo em termos de capacidade hidroelétrica adicional instalada em 2015 (após a China, a qual tem sido seguidamente responsável pela instalação de metade de toda a capacidade hidroelétrica adicionada anualmente no mundo) e quarto na instalação de plantas de energia eólica no ano passado.

Nove países da América Latina instalaram em 2015 4,4 GW de energia eólica adicionais, alcançando um total de 15,3 GW instalados acumulados. O Brasil, com 2,8 GW, foi responsável por 57% do mercado da região, e terminou o ano com 8,7 GW de plantas eólicas. O Brasil foi seguido pelo México, que adicionou 0,7 GW e superou os 3 GW instalados, o Uruguai adicionou 0,3 GW e o Panamá adicionou 0,2 GW.

Em terceiro no mundo entre os países que mais instalaram energia geotérmica em 2015, o México representa 17% de toda a capacidade geotérmica mundial instalada no ano, logo após a Turquia e os Estados Unidos, e quarto em capacidade geotérmica instalada acumulada. O Brasil foi o terceiro no mundo em instalação de novos paineis de energia solar para aquecimento de água em 2015 e quinto em paineis deste tipo instalados acumuladamente. Barbados foi quarto em área acumulada de painéis de energia solar para aquecimento de água per capita.

Como segundo maior produtor de biocombustíveis do mundo, o Brasil aumentou mais ainda sua produção tanto de etanol como de biodiesel em 2015. O Brasil foi o quarto no mundo em geração elétrica com biomassa. Já a Argentina ficou em quarto lugar no mundo em produção de biodiesel.

A energia térmica a partir de biomassa é responsável por quase um terço da produção de calor industrial na América Latina. Honduras, Uruguai e Jamaica ficaram em segundo, terceiro e quinto lugares no mundo em volume de investimentos em geração elétrica com renováveis e bioenergia por unidade de PIB.

Com relação à criação de empregos no setor de energia renovável, o Brasil está entre os líderes mundiais em todas as tecnologias. Se bem que a maior parte dos empregos em energia renovável no Brasil está no setor de biocombustíveis e hidroelétricas. Os empregos no setor eólico estão subindo rapidamente devido ao aumento relevante na fabricação local de componentes das plantas eólicas, assim como no resto da América Latina que os empregos nos setores eólico e solar também estão aumentando.

Este desenvolvimento observado em energia renovável é somente uma pequena amostra do que pode ser feito no futuro da região latino-america. A Argentina, por exemplo, acaba de anunciar leilões de 1 GW com energia renovável. O potencial de energia renovável na região é imenso e muitos países estão apenas começando sua transição a energia renovável e eficiência energética.

A REN21 está orgulhosa de poder trabalhar com a iniciativa SE4All para ajudar alcançar seus três objetivos para 2030:

1Garantir acesso universal a serviços modernos de energia;

2Duplicar a taxa de melhora na eficiência energética);

3Duplicar a participação da energia renovável na matriz energética mundial.

O BID colabora todos os anos com a REN21 e atua como coordenador regional de SE4All para a  América Latina e o Caribe, ajudando a região a alcançar estes três objetivos em colaboração com outros organismos regionais chave como o PNUD, CEPAL e OLADE.

Post publicado também em espanhol e em inglês no blog do BID, Energy for the Future

 

*Christine Lins foi nomeada Secretária Executiva da REN21, a Rede de Políticas de Energia Renovável do Século 21, em julho de 2011.

*Ariel Yepez é chefe da Divisão de Energia do BID. Neste cargo é responsável por identificar, propor e implementar projetos energéticos que promovam a agenda de desenvolvimento sustentável na América Latina e Caribe. Imediatamente antes de ingressar no BID, Ariel trabalhou para o Banco Mundial como economista sênior em Energia.

*Arnaldo Vieira de Carvalho trabalha no BID desde 1997 preparando e implantando projetos de energia, especialmente eficiência energética, eletrificação rural e energia renovável, incluindo biocombustíveis.

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