Por Márcia Casseb, Especialista Sênior em Desenvolvimento Urbano e Saneamento do BID no Brasil

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Estamos vivendo tempos interessantes para a Iniciativa das Cidades Emergentes y Sustentáveis (ICES) no Brasil.

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Há duas semanas, três novos municípios aderiram formalmente à Iniciativa: Florianópolis (Santa Catarina), Palmas (Tocantins) e Vitória (Espírito Santo). Elas se juntam a duas outras cidades do Brasil: João Pessoa, que já se encontra na Fase 1 da Iniciativa, e Goiânia, uma cidade que fazia parte do piloto de ICES e agora está em processo de implementação de seu Plano de Ação.  Com a adesão destas cidades, a ICES abrange agora todas as regiões do país, beneficiando uma população total de cerca de 3 milhões de pessoas. 

Esta expansão só está sendo possível em função da parceria com a Caixa Econômica Federal (CAIXA), um dos maiores bancos de fomento do Brasil. Em cada uma das cidades, o Fundo Socioambiental da CAIXA destinará recursos para a aplicação da metodologia e apoio à realização de estudos de aprofundamento para colocar em prática os Planos de Ação dos municípios. As atividades devem ser iniciadas, em todas as novas cidades, até o fim deste ano.

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Florianpolis, Santa Catarina. Foto por Flickr: Atramos

Entre 11 e 13 de setembro de 2013, representantes do BID e da CAIXA visitaram as três cidades, um esforço concentrado, mas que trouxe de volta ânimo renovado para a expansão dos trabalhos no país. O grande engajamento da CAIXA nas cidades, e a excelente recepção em todos os municípios mostra o grau de alinhamento em termos dos desafios urbanos destas cidades emergentes. Mais do que isso, mostra também um ímpeto para transformar.

A transformação pretendida na ICES, especialmente em sua expansão no Brasil, destaca-se pela transversalidade e diversidade de conhecimento que será gerado nas cidades. Em cada uma delas, foram selecionadas entidades especializadas, com reconhecida qualificação, para aplicação da metodologia em coordenação com as prefeituras e equipe do BID. Em si, este já é um espaço de troca de experiências, transferência de informação e aprimoramento da metodologia e das organizações que a aplicam.

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Vitoria, Espiritu Santo.Foto da municipalidad da Vitoria

Além disso, o envolvimento de atores da sociedade civil é constante e perpassa todo o processo de construção dos Planos de Ação. Em João Pessoa, já na Fase de diagnóstico da Iniciativa, dezenas organizações não governamentais, entidades de classe, sindicatos e organizações patronais apresentaram suas perspectivas nos debates a respeito dos problemas urbanos do município. Desta forma, trabalhamos não apenas para a definição de planos de longo prazo em direção à sustentabilidade, mas contribuímos para a consolidação de um pensamento sistêmico nos centros urbanos brasileiros a partir do compartilhamento de ações e colaboração de atores.

Tempos ainda mais interessantes estão por vir. A experiência nos mostra que a ICES tem um importante efeito catalizador nas cidades, mas o grande desafio ainda reside em operacionalizar essas boas ideias. Na estrutura que temos com a expansão da ICES no Brasil, poderemos mobilizar mais, trocar mais experiências e viabilizar mais mudanças. As cidades médias brasileiras têm grandes desafios pela frente, e temos muito a contribuir nesse processo.

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Palmas, Tocantin. Foto da municipalidad da Palmas