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Como um cartão de crédito pode ajudar a criar empregos formais?

ideia | 27 Outubro 2016

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Luciano Schweizer*

Os pequenos negócios respondem por mais de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Juntas, as cerca de nove milhões de micro e pequenas empresas (MPEs) no País representam 27% do PIB. Elas também empregam 52% da mão de obra formal no País e respondem por 40% da massa salarial brasileira, de acordo com estudo do Sebrae.

Que o acesso ao crédito é fator chave para melhorar a produtividade das empresas, não é novidade. Entretanto, a assimetria de informações presente no mercado faz com que as relações entre fornecedores e compradores, e entre empresas e bancos apresentem níveis de riscos mais elevados na hora de tomar decisões sobre suas operações. Neste cenário, são as MPEs são as que se deparam com as maiores dificuldades para acessar os sistemas formais de crédito, por possuírem menos informações de relacionamento com o sistema financeiro, e por dispor de menos garantias para respaldar um operação de empréstimo.

Para tentar resolver esta questão, foi criado o portal Cartão BNDES um sistema para gerar e compartilhar informações de crédito, com rápida tramitação, dedicado ao financiamento de bens de produção para micro e pequenas empresas a taxas competitivas. O portal é aberto para que fornecedores cadastrem seus produtos, oferecendo aos empresários que tem o cartão, a possibilidade de comparar os melhores preços e realizar as compras.

Hoje existem mais 200 mil produtos disponíveis, desde veículos leves, equipamentos de automação comercial, computadores e suprimentos, refrigeradores, estantes, máquinas de costura, motores, entre outros. O limite de crédito rotativo é de até R$ 1 milhão e o prazo para pagamento varia entre três e 48 meses, em prestações fixas. Além de reduzir os custos de transação, o cartão não exige garantias reais e financia 100% do valor do bem.

Mais de 700 mil operações de crédito foram realizadas, cerca de 650 mil cartões já foram emitidos e o faturamento das empresas participantes do programa aumentou 40,5%. Com esses avanços, as oportunidades de trabalho nestas empresas cresceram 21% em comparação àquelas que não utilizavam o cartão. Enquanto o programa tentava diminuir a assimetria das informações de mercado, ele ajudou em outra esfera tão importante quanto a geração de emprego formal.

Esta história faz parte da série Transformando Realidades. Saiba mais sobre os impactos do desenvolvimento integrado desta e de outras 11 intervenções. Clique aqui

 

* Luciano Schweizer é especialista em Mercado de Capital e Instituições Financeiras do BID no Brasil.

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