POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MELHOR
QUALIDADE DE VIDA.

Como inovar através da Internet das coisas?

ideia | 21 Março 2016

internet das coisas - inovação

Martín Quiroga Barrera Oro*

Cada vez mais cidades estão avançando para uma maior eficiência e otimização dos recursos graças ao emprego da Internet das coisas (IoT, na sigla em inglês). Mas, o que significa IoT? Não existe uma única definição, os especialistas referem-se a ela como a conexão entre objetos físicos e sistemas informáticos, que por meio de sensores, software e outros dispositivos integram uma rede capaz de produzir grande volume de dados. Assim, desde GPS, scanners ou bluetooth pode haver uma conexão móvel, virtual e instantânea produzindo informação que melhora a gestão urbana.

A terceira edição do concurso Governarte – Prêmio “Eduardo Campos” identificou e selecionou iniciativas de governos subnacionais que melhoram a vida de seus cidadãos por meio da exploração e análises de dados massivos. Entre os participantes, encontramos várias iniciativas que usaram a IoT, o que demonstra que este tipo de tecnologia já está se usando em nossa região.

Logo abaixo, compartilhamos inovações em três áreas da gestão urbana que começaram a ser percebidas em diferentes partes do mundo e que algumas cidades já estão replicando.

1. Mobilidade e gestão do transporte

As cidades latino-americanas têm construído ciclovias e começaram a implementar sistemas públicos de bicicletas. O Rio de Janeiro, por exemplo, tem conseguido entender melhor a mobilidade dos ciclistas e pedestres, combinando a informação obtida pelo sistema BikeRio e contas do Twitter. Deste modo, o município pode planejar e aperfeiçoar os recursos para a construção de ciclovias, em função da demanda de seus cidadãos.

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Por bluetooth, na cidade de Aarhus os sinais de trânsito são guiados pela conduta dos motoristas. Fonte: gentileza de Roger Wollstadt.

O congestionamento nas “horas de pico” é outro problema que atinge, sobretudo, as grandes cidades. Isto tem motivado a substituição dos semáforos tradicionais por semáforos inteligentes que, de acordo com os sensores, dão prioridade aos cruzamentos de veículos que levam maior atraso. Em Aarhus, na Dinamarca, foram implementados sinais de trânsito que são guiados pela conduta dos motoristas, indicando o tempo de demora em um percurso e sugerindo caminhos mais rápidos.

2. Eficiência energética

Outro exemplo é a iluminação pública inteligente. As cidades começaram a programar o acender e o apagar das luzes e a ajustar os níveis de iluminação de acordo com a demanda. Assim, é reduzido em média 30% da demanda energética total. A cidade de Oslo, na Noruega, conseguiu diminuir seu consumo em 62% graças a esta solução.

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A iluminação inteligente se adapta de acordo com as condições climáticas. Fonte: gentileza de Norbert Reimer.

3.Gestão de resíduos sólidos urbanos

Os governos também tem começado a monitorar a produção de lixo. Em Xangai, com sensores e uma câmara se calcula o peso, volume e o tipo de resíduo, além da temperatura e o nível de líquidos no interior da lata de lixo. Ainda contam com alertas que detectam resíduos potencialmente perigosos – como vidros e outros materiais de construção, assim como para a incineração de plantas.

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Os circuitos são programados para recolher apenas os recipientes cheios. Fonte: gentileza de Kristina D. C. Hoeppner.

A eficiência energética, a mobilidade urbana e o manejo de resíduos constituem claros exemplos de como a IoT está permitindo aos governos melhorar a eficiência energética, reduzir a emissão de gases, poupar tempo e custos, entre outras vantagens. Agora que te contamos sobre como o big data pode ser usado em espaços urbanos, você gostaria de compartilhar alguma experiência que funcione para melhorar as cidades usando a Internet das coisas?

Post publicado originalmente no blog do BID, Gobernarte

 

*Martín Quiroga Barrera Oro é consultor da divisão de Gestão Fiscal e Municipal do BID. Anteriormente, trabalhou em temas de monitoramento e avaliação na Organização dos Estados Americanos (OEA) e em saúde pública no Programa SUMAR, financiado pelo Banco Mundial na Argentina. Já lecionou os cursos de metodologia de pesquisa e política econômica. Martín tem mestrado em Políticas Públicas pela Universidade Torcuato Di Tella, onde se especializou em Política Econômica e é licenciado em Ciência Política pela Universidade de Buenos Aires. Siga Martín no Twitter @merts_qbo

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