POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MELHOR
QUALIDADE DE VIDA.

Três passos para ter uma saúde de ferro

ideia | 28 Janeiro 2016

saúde de ferro

Márcia Rocha*

Quando pensamos no atendimento público à saúde nas cidades, uma série de imagens vem a nossa mente: longas filas nas emergências dos hospitais, dificuldades de atendimento por médicos especializados, pouca organização. Além disso, é comum observarmos uma grande concentração de atendimentos nas capitais dos estados, sobretudo nas principais regiões metropolitanas do país.

Os moradores de Sobral, cidade de médio porte localizada no norte do estado do Ceará, assim como das cidades vizinhas, estão vivenciando uma mudança estrutural no atendimento integral da saúde, com a implantação de um sistema organizado de atenção que está contribuindo fortemente para reverter este quadro. Para isso, o Estado do Ceará investiu em três frentes principais de ação, a partir do Programa de Expansão e Melhoria dos Serviços de Saúde do Ceará, que compartilho abaixo:

1. Descentralizar o atendimento, através do fortalecimento das redes regionalizadas de saúde

A partir da organização do Estado em quatro macrorregiões de saúde, compreendendo as regiões de Fortaleza, Cariri, Sobral e Sertão Central, o Governo empreendeu importantes ações para que cada região tivesse uma rede completa de serviços para que os cidadãos de todo Estado tivessem um acesso integral, equânime, oportuno e de qualidade aos serviços de saúde. Cada região conta com um sistema de promoção, prevenção e atenção à saúde, composto por infraestrutura de unidades básicas de saúde, policlínicas, unidades de pronto atendimento, hospitais regionais, centros odontológicos, entre outros serviços. Com essa infraestrutura vem sendo possível chegar diretamente à população e ampliar o tratamento contínuo e longitudinal ao usuário do SUS, onde são assegurados serviços desde a atenção básica até a atenção mais complexa, dentro da região de saúde onde o paciente reside. Estas ações vêm diminuindo paulatinamente a sobrecarga de atendimento que era observada na capital.

2. Pensar a gestão da saúde de maneira integrada

Um sistema de gestão da informação em saúde possibilita que os pacientes tenham seu histórico à mão, o que reduz custos, erros, e eventual sobreposição de exames clínicos. A gestão compreende todas as frentes possíveis, passando pelo gerenciamento do uso da infraestrutura disponível e a organização da oferta e a demanda por serviços, integrando, gradativamente, todos os níveis de atenção, desde a primária até o atendimento de alta complexidade, como transplantes, cirurgias e terapias avançadas como as de tratamento do câncer. Ademais, outros investimentos na área de gestão foram chave como o desenho e implementação de uma unidade estratégica de monitoramento da rede, que acompanha um amplo painel de indicadores de desempenho, produção, custos e qualidade das unidades, gerando inteligência para a gestão do SUS no Ceará.

3. Atingir níveis de excelência de qualidade e segurança

Uma vez que houve a infraestrutura e uma gestão eficiente para otimizar o uso dos recursos, se buscou a excelência na qualidade do atendimento prestado, que faz parte de outra frente de ação, por meio da acreditação ONA (National Organization Accreditation), instituição que preconiza uma série de padrões de qualidade e segurança do paciente no que se refere a serviços hospitalares e ambulatoriais. Assim, o programa contará com a ONA para acreditar 37 serviços no Estado.

Elaborar um programa tão complexo e abrangente requer uma abordagem inovadora tanto em gestão do sistema de saúde quanto na qualidade e variedade dos atendimentos oferecidos. Entre os principais pontos observados durante todo o processo, está a necessidade de mantê-lo alinhado completamente aos princípios do Sistema Único de Saúde, bem como com as diretrizes do Ministério da Saúde e ao mesmo tempo, na vanguarda de soluções e alternativas para gerar os melhores serviços para a população.

Esta história faz parte da série Transformando Realidades. Saiba mais sobre os impactos do desenvolvimento integrado desta e de outras 11 intervenções. Clique aqui

 

* Márcia Rocha é especialista sênior em Saúde do BID no Brasil.

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