POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MELHOR
QUALIDADE DE VIDA.

O que acontece quando a renda disponível das pessoas de baixa renda aumenta?

ideia | 13 Maio 2015

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Lina M. Salazar Ortegón*

O que conhecemos como base da pirâmide (BDP) mudou muito profundamente nos últimos dez anos. O crescimento econômico da América Latina e do Caribe entre 2000 e 2010 beneficiou a muitas pessoas na região, do topo à base. Milhões emergiram da pobreza e o segmento daqueles vivendo com entre US$ 4 e US$ 10 por dia aumentou significativamente.  Mais de 400 milhões de pessoas vivem na base da pirâmide na América Latina, o que equivale a um mercado de US$ 760 bilhões por ano. O Fórum Base III do Banco Interamericano de Desenvolvimento será uma oportunidade de discutir como chegar a esse mercado inexplorado e impactar a vida de pessoas de baixa renda. O evento acontece entre 29 de Junho e 1 de Julho na Cidade do México.

A maioria das pessoas que vive na base da pirâmide na América Latina viu sua renda disponível crescer na última década. Em consequência, esse segmento da população começou a gastar com bens e serviços antes inacessíveis, como saúde de qualidade. A medida que a renda aumenta, as pessoas da base da pirâmide passam a considerar gastos com saúde como uma prioridade, abrindo as portas para empreendedores interessados em atender esse mercado. Se a sua empresa quer estar na vanguarda do setor de saúde, deve levar em consideração as três observações que fazemos abaixo para melhor entender a base da pirâmide.

1)       Negócios voltados a BDP devem mirar nas mulheres – De acordo com o estudo do Banco Mundial Trabalho e Família, aproximadamente 70 milhões de mulheres entraram para o mercado de trabalho (formal e informal) desde 1980. Além disso, a probabilidade que meninas sejam matriculadas na escola hoje é maior que a de meninos. A medida que mais mulheres, incluindo as que se encontram na base da pirâmide, passam a ter melhor educação e renda própria, elas também têm mais a dizer sobre a saúde delas mesmas e de seus filhos. Esse é um elemento de desenvolvimento social que as empresas do setor de saúde deveriam levar em consideração caso queiram ter sucesso no mercado BOP no longo-prazo.

 

2)      Há uma oportunidade para negócios de saúde voltados para a infância – Grupos de discussão promovidos pelo departamento do BID Oportunidades para a Maioria com famílias BOP de México e Peru mostraram que os pais da base da pirâmide priorizam a saúde de seus filhos e estão dispostos a pagar por um médico caso necessário. O intrigante é que essa disposição acaba quando a criança completa 5 anos. As empresas podem ajudar os pais a reservar mais recursos para a saúde dos filhos aumentando a oferta de saúde preventiva e provendo serviços mais acessíveis.

 

3)      Farmácias em bairros BOP são cruciais para a penetração de mercado – Farmácias em bairros da base da pirâmide na América Latina e Caribe converteram-se em canais de distribuição chave de medicamentos genéricos e de serviços básicos de saúde. As farmácias que trabalham com esse segmento de mercado vendem remédios fracionados em vez de caixas/frascos cheios, o que ajuda as famílias a planejarem seus orçamentos diária ou semanalmente. Os atendentes das farmácias são pessoas da confiança das famílias BOP, que seguem as orientações sobre a cura de doenças mais simples e sobre a compra de medicação básica. Focar no papel que farmacêuticos e atendentes exercem nessas comunidades abre um mapa de oportunidades para as empresas interessas em melhores estratégias de penetração no mercado BOP.

 

4)      A compra de medicamentos genéricos costuma ser paga em dinheiro pelas famílias da BOP – Países como Brasil e México têm taxas elevadas de compras à vista em dinheiro. No Brasil, gastos familiares responderam por 31% dos gastos totais com saúde em 2012. Adicionalmente, 80% dos gastos dos brasileiros com remédio são pagos em dinheiro. Esse tipo de despesa é uma das causas que pode levar ao empobrecimento da população. Existe uma oportunidade de expansão na venda de medicamentos genéricos e reduzir os preços dos mesmos, bem como a possibilidade de criação de mecanismos para o financiamento de medicamentos genéricos.

Estes são apenas algumas das muitas sugestões e ideias que podem ajudar os empresários a melhor entender o mercado BOP e os consumidores de saúde deste segmento. Durante o Fórum Base III, companhias, empreendedores e especialistas compartilharam como têm alcançado retornos financeiro e social servindo a base da pirâmide. Não perca!

* Lina M. Salazar Ortegón é consultora do Departamento Oportunidades para a Maioria. Este post foi originalmente publicado no blog Negocios Sostenibles

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