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Mitos e verdades sobre aquíferos no Brasil

ideia | 27 Abril 2015

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Região de Alter do Chão abriga um dos maiores aquíferos do mundo
Foto: Wikimedia Commons 

Os desafios que envolvem o abastecimento de água no Brasil, ainda mais notórios após a seca que afligiu recentemente o sudeste, têm feito muita gente questionar o que vem sendo feito com a água dos nossos aquíferos, reservatórios subterrâneos disponíveis em grande quantidade no país. Duas das maiores reservas desse tipo encontram-se no Brasil: Álter do Chão, na Amazônia, e Guarani, que também estende-se por Argentina, Paraguai e Uruguai.  Confira mitos e verdades sobre os aquíferos:

Qual é a importância dos aquíferos no abastecimento de água? Segundo a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas), 50% das cidades brasileiras são abastecidas por aquíferos. Já de acordo com relatório da Agência Nacional de Águas (ANA), somente no estado de São Paulo 71,6% dos 645 municípios são abastecidos total ou parcialmente por esse tipo de fonte, sendo que 308 utilizam exclusivamente água subterrânea. Ribeirão Preto é um exemplo de município cujo abastecimento de água se dá exclusivamente pelo Aquífero Guarani. Ainda de acordo com a ANA, no Maranhão mais de 70% das cidades usam água proveniente de poços artesianos; no Piauí, mais de 80% dos municípios dependem desse tipo de fonte. Até mesmo Manaus, famosa pelo encontro dos rios Negro e Solimões, tem 40% de seu abastecimento garantido pelo Aquífero Álter do Chão, que também abastece grandes cidades amazônicas como Santarém.

O Aquífero Guarani é a solução para crise do Sistema Cantareira? – Os rios que fazem parte do sistema já são naturalmente abastecidos por água subterrânea, o que explica o fato de muitos deles continuarem ativos mesmo nos períodos de escassez de chuva. Mas na região do Cantareira predominam os terrenos cristalinos, que costumam produzir baixos volumes de água. De acordo com a Abas, mesmo com estudos preliminares para identificar estruturas geológicas perfuráveis, o volume máximo alcançado não seria suficiente para atender a demanda do sistema. Para a entidade, a perfuração de poços em bairros distantes poderia ser realizada como reforço, mas não para enchimento dos reservatórios.

A água subterrânea é mais barata? – Há quem argumente que a água subterrânea seja mais barata, pois estaria livre da contaminação pesada dos rios e dos reservatórios de grandes centros urbanos, o que exige vultosos investimentos em tratamento antes que a água seja disponibilizada para a população. Uma estação de água subterrânea operaria com menos funcionários, já que bastaria bombear o recurso das profundezas e utilizá-la. A questão, contudo, é mais complexa. De acordo com a ANA, aspectos como a profundidade dos poços e a tecnologia envolvida na perfuração e bombeamento dessas fontes são o que determinam os custos. Além disso, em alguns estados, como o Ceará, não há disponibilidade de água.

Abrir poços particulares é uma boa solução? – A seca que atinge diferentes regiões do país provoca grande procura por fontes alternativas como os poços artesianos. Especialistas advertem que perfurar poços inadvertidamente pode agravar ainda mais a crise de abastecimento, além de elevar os riscos de contaminação. Somente em São Paulo, estima-se que 70% dos poços não tenham outorga (autorização para exploração). A Abas avalia que a questão da ilegalidade dos poços está muito associada à demora em se decidir ou não pelas autorizações – um processo de outorga levaria cerca de 120 dias – e defende que a gestão seja simplificada para beneficiar quem faz bom uso da água subterrânea.

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