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Três mitos sobre o Bolsa Família

ideia | 28 Outubro 2014

 Atualizado em 3 de abril de 2015

bolsafamiliaideO debate sobre o programa  Bolsa Família costuma gerar muita polêmica no dia a dia e alcança picos de interesse durante eventos como campanhas eleitorais, como bem vimos no ano passado. Criado há dez anos, a partir da consolidação de vários programas sociais como Bolsa Escola e Auxílio Gás, o maior programa de transferência condicionada de renda (para recebê-lo é preciso atender a requisitos como frequência escolar e cumprimento do calendário de vacinação) do mundo atende hoje 50 milhões de brasileiros. Debater o programa e suas implicações futuras é saudável e do jogo democrático, mas para que a discussão seja mais produtiva e necessário antes desfazer alguns mitos: 

Mito 1: Mais pessoas estão tendo filhos só para receber o benefício – Pesquisa recém divulgada pelo IBGE mostra que entre 2003 e 2013 ao numero de filhos por família no Brasil caiu 10,7%; quando considerados apenas os 20% mais pobres da população a queda foi ainda mais expressiva: 15,7%. Outro recorte da pesquisa aponta que na região que concentra o maior numero de beneficiados do Bolsa Família,  a redução no numero de filhos por família entre os 20% mais pobres foi de 26,4%.  As taxas de natalidade no Brasil estão em declínio há décadas. Em 1970, a mulher brasileira tinha, em média, 5,8 filhos. Em 2000, eram 2,3 filhos por mulher. Em 2004, quando diversos programas sociais já existentes, como o Bolsa Escola e o Auxilio Gás, foram consolidados e expandidos transformando-se no Bolsa Família, a taxa bruta de natalidade bruta por mil habitantes era 18,66; hoje é de 14,47, segundo o IBGE

Mito 2: Quem recebe o Bolsa Família se acomoda e não trabalha –  Vez ou outra, vídeos como um que mostra uma beneficiária se queixando do valor do benefício, insuficiente para que ela comprasse uma calça de marca para a filha, não só transformam-se em virais,mas são ainda interpretados como sinal de que o programa gera acomodação e vadiagem. Os fatos, mais uma vez, desmentem essa visão: 75,4% daqueles que recebem o Bolsa Família trabalham.  Para muitos, o programa representa uma ajuda extra, a garantia de uma dieta melhor, a compra de produtos básicos que antes não eram acessíveis. Além disso, mais de 1,7 milhão de famílias já abriram mão do benefício desde que ele foi criado. Estudos sugerem ainda que o programa estimula o empreendedorismo.

Mito 3: Programa é como jogar dinheiro fora –  Os impactos de programas de transferência de renda vão muito além dos econômicos. E justamente por causa das condicionalidades é preciso tempo e muito análise para determinar quais os efeitos estendidos de políticas públicas dessa dimensão. Há sinais sobre efeitos-colaterais positivos do programa (originalmente concebido para erradicar a pobreza extrema), como, por exemplo, um melhor desempenho escolar entre os beneficiários. Do ponto de vista estritamente econômico, o programa é bem sucedido. De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas (Ipea), cada R$ 1 gasto com o Bolsa Família adiciona R$ 1,78 ao Produto Interno Bruto (PIB). Ainda de acordo com o Ipea, o programa tem um custo baixo (0,4% do PIB), mas um grande efeito multiplicador sobre a economia.

 

19 comentários

  • Wagner :

    Tenho a opinião que os requisitos: frequência escolar e vacinação, já não atendem como balizadores para o recebimento do beneficio. É necessário aprofundamento do debate, de qual contrapartida, estes beneficiários devem entregar à sociedade.

  • Eudes :

    Eu morei 3 anos no Para e posso afirmar que nao e mito, e fato! Presenciei uma verdadeira festa diante do que deveria ser uma ajuda. Materia totalmente politica e inveridica.

  • Lucia Longhi :

    Em visita ao Amazonas numa região ribeirinha. O guia nos informou que a bolsa familia e o Pronatec havia transformado aqueles vilarejos. Pois agora os pais obrigam seus filhos irem a escola, nao os fazem mais ficar trabalhando.De sol a sol. Tambemos filhos tem cursos tecnicos a disposição, eles fazem e voltam pra aplicar em suas comunidades. O guia que trabalha no Iberostar Amazon nos conta que a realidade dele a 12 anos atras era bem diferente. Jamais tiveram essas facilidades!

  • Waldecy Vieira Machado :

    Bem, estas afirmativas logicamente estão direcionadas para tentar proteger a ação do governo federal, porém, acreditamos ainda que o bolsa família seja uma cota de miséria para iludir e cativar os mais carentes, bem como torná-los atravessadores do dinheiro público para a mão dos burgueses, tendo ainda como garantia a certeza de que nesta imensa cota de beneficiários, o governo se apoia sua base para eleição ou reeleição, para finalizar é necessário dizer que, o melhor programa social que o governo pode e deve, mas não faz, é a criação de empregos, não dê o peixe, diz o ditado, ensine a pescar, é mais digno e lógico.

    • Wender :

      Waldecyr, você fala bem, mas seus argumentos cheiram a uma crítica infundada. Ora, considerar os beneficiários como “atravessadores” de recursos? Que ideia sem sentido. Se para aquisições dos beneficiários, os comerciantes precisam vender, isso é fato natural do capitalismo. Você quando consome, então, configura mero atravessador do dinheiro pago por seu patrão ao comerciante.
      É importante, e saudável, que o Programa seja debatido, mas sem politicagem, senso comum ou teorias de conspiração, no mínimo.
      E digo aos senhores o mesmo que disse a um crítico do Programa em meu município: “ Um programa de dimensões nacionais, mas cuja operacionalização é descentralizada, pode apontar irregularidades. Mas se assim o souberem, denunciem. Denunciar irregularidades também é cidadania”.
      Meu conhecido aqui não se manifestou até o momento sobre as “supostas irregularidades gritantes” no recebimento do benefício.

      • sel :

        é vdd, essa semana fiz uma fala sobre o Bolsa familia e Cadastro Único para os Agentes de saúde da minha cidade e fiz a seguinte comentário ” se há criticas no programa é pq todos nós estamos deixando de fazer nossa parte, se vemos alguem recebendo indevidamente e não fazemos a denúncia nós estamos colaborando para que o programa seja mal visto, a sociedade tb deve fazer sua parte fazendo a fiscalização, o programa possui cirtérios q devem ser seguidos, pórém se o municipio não faz a gestão de como deve ser o programa vai ser criticado mesmo.

    • Andre da Silva LefchaK :

      Waldecy Vieira Machado, recomendo que você entre no site do Ministério do Desenvolvimento Social e se intere de como funciona o programa, pois o “ensinar a pescar” que você se refere é garantido pela cobrança da frequência escolar, vacinação e acompanhamento médico. Desse modo as crianças terão melhores chances de se inserirem no mercado de trabalho rompendo o ciclo da pobreza, por terem melhores oportunidades que seus pais.
      Quanto a sua afirmação de ser uma cota de miséria, concordo que o valor do beneficio é baixo, pois quem recebe o beneficio são só pessoas com renda inferior a cerca de 150 reais.(Se você conhece pessoas que tem renda superior a isso e recebem o beneficio elas são exceções irregulares que não justificam o prejuízo a maioria dos casos regulares, denuncie).
      Com uma renda de 150 reais é praticamente impossível que as crianças se alimentem direito, com todos os nutrientes necessários a seu pleno desenvolvimento e isso é extremamente prejudicial a educação das crianças, pois como você espera que as crianças aprendam na escola se não estão nutridas como deve ser. Desse modo o beneficio é essencial na garantia de uma renda minima que assegure o direito a alimentação adequada previsto na declaração dos direitos humanos.
      A sua frase de que o melhor programa que o governo pode adotar é a criação de empregos, já foi citada no Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC) o qual o governo assinou e participa desde 1992, mas também diz nesse documento que se o governo não pode gerar emprego para toda população ter acesso a alimentação adequada ele deve dar ou o alimento ou o dinheiro para quem precisa comprar esse alimento. Um abraço!

  • \denise campos soto :

    nao sou contra bolsa familia. principalmente la para o nordeste que sao pessoas carentes e nao tem condiçoeoes de trabalhar. so acho que tinha que ser mais fiscalizado. pq conheço mtas pessoas que tem casa propria e um belo de um carro ganha bem e recebe

  • Ana :

    Realmente entender e acreditar nos benefícios sociais é difícil para aqueles que não trabalham com esse contexto. Mesmo aqueles que estão no meio social e convivem com tal opinião é porque não auxilia seus usuários a terem sua independência social.

  • Ronaldo Marcio. Borges Barcellos :

    NO MOTOR DO CAPITALISMO, FRIO E CALCULISTA, HÁ MUITAS ENGRENAGENS INDISPENSÁVEIS E IMPRESCINDÍVEIS AO SEU FUNCIONAMENTO, ENTRE ELAS A POBREZA E A MISÉRIA, INFELIZMENTE.
    ESSA É UMA FALHA PARA A QUAL NÃO SE PODE VIRAR AS COSTAS E/OU IGNORÁ-LA, ASSIM SENDO, NÃO VEJO COMO O ESTADO PODERIA COMBATÊ-LA, SENÃO, COM PROGRAMAS DE INSERÇÃO, COMO POR EXEMPLO, OS PTR’s (PROGRAMAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA).
    É CLARO QUE NO DECORRER DE SUA IMPLANTAÇÃO, HÁ QUE SE ACOMPANHAR E FISCALIZAR PARA OTIMIZÁ-LO, MAS, JAMAIS ENTENDER, ACHAR QUE É DESNECESSÁRIO E DESPREZÍVEL….

  • cleise :

    como é um beneficio da assistencia social ele é descentralizado ,onde o governo Federal não consegue por si só faz uma plena fiscalização e q entra a sociedade civil é claro cada um de nós monitorando a transparencia e alem do mais denunciando irregularidades!!!

  • erivone pereira lima :

    eu fiz o cadrasto do bolsa familia ja tem dois anos mas até hoje nada e eu preciso como todo mundo tenho um filho pequeno pra criar.

  • Êida Campos :

    Não sou a favor da Bolsa família, queria emprego e dignidade para todos.

  • Delcimira Ferreira :

    Eu realmente acho que esse bolsa família gerou um aumento da taxa de emprego e claro pois boa parte das pessoas não querem trabalhar pois se o governo esta pagando para eles ficarem vadiando quem não quer.e mais outra boa parte dos beneficiários são magnatas pessoas de muito dinheiro e que o recebem.no Norte de Minas mesmo tem muitas pessoas que não querem saber de trabalhar por isso e muitas mulheres que engravidam propositalmente nesse intuito.então eu acho que deve haver uma repaginação nesse programa e principalmente uma rigidez maior e mais fiscalização.

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