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Como saber se seu filho corre o risco de ser recrutado por uma gangue?

ideia | 2 Setembro 2014

bid criancas gangue

 Foto: Flickr CC JR Ferrer Paris

Roberto Obando*

Todo pai experimenta temores durante a criação de seus filhos e filhas. Desde crianças, uma queda escada abaixo, tropeçar nas escadas ou afogamento no mar ou piscina. Todos os pais se preocupam que dirijam carros e sofram um acidente de trânsito.

No entanto, nem todos nós pais somos conscientes dos perigos que a gangues podem representar para nossos filhos. Pensamos que nosso nível socioeconômico ou educacional não é o alvo mais comum para o objetivo das gangues. Pensamos que o lugar onde vivemos não tem problema de gangues. Pensamos que no colégio onde estudam nossos filhos as gangues não atuam.

Grande erro. Sabia que há gangues em metrópoles como Bogotá ou Buenos Aires até em zonas rurais, agrícolas e pastoris em Honduras, República Dominicana e Peru? Sabia que há gangues em bairros pobres e também em alguns dos bairros mais ricos e luxuosos da Califórnia e Nova York? Sabia que a metade das gangues incluem meninas e mulheres como integrantes?

Acredite ou não, seu filho ou filha podem ser recrutados para fazer parte de uma gangue. Como pais e mães, é nosso dever saber por que as crianças e adolescentes decidem entrar para uma gangue. As razões são diversas e vão desde interesse em fazer parte de um grupo e ganhar o respeito de outras crianças do sexo oposto até o desejo de ganhar dinheiro por fora, incluindo de maneira ilegal. Este vídeo apresenta uma explicação (em inglês).

Por outro lado, se você acha que todos os membros de uma gangue começaram por volta dos 18-25 anos, com o corpo coberto de tatuagens, você se engana. Muitas vezes, crianças de apenas 7-8 anos de idade são forçadas a realizar algum tipo de trabalho para as gangues. Não acredite tampouco que a conduta do seu filho mudará da noite para o dia após o contato com uma gangue. As mudanças acontecem gradualmente, o que torna mais difícil o diagnóstico por parte dos pais e mães.

Em seguida apresento um quadro que te ajudará a avaliar se seu filho ou filha corre o risco de ser “recrutado” por uma gangue ou se já teve contato direto com algum de seus membros:

Primeiros sinais Sinais de alerta
  • Diminuição do rendimento escolar
  • Ausência às aulas sem justificativa
  • Falta de interesse em participar de atividades recreativas familiares ou escolares
  • Abandono de seu grupo original de amigos
  • Comportamento rebelde, tanto na escola como em casa
  • Aceso a dinheiro diferente do que recebem dos pais
  • Posse de celulares, relógios, equipamentos eletrônicos ou outros objetos de valor que não foram comprados pelos pais
  • Desenhos alusivos a gangues nas paredes do quarto ou em artigos de sua propriedade
  • Uso de roupa alusiva a gangues
  • Mudança drástica de linguagem, incluindo diálogos constantes com termos pejorativos e vulgares
  • Uso de sinais de mão peculiares para se comunicar com pessoas na rua

Alguns dizem que as condutas acima mencionadas descrevem a quase todos os adolescentes, em um momento ou outro. Isto é certo. Entretanto, vale mais prevenir que lamentar. Como pai você pode fazer várias coisas para evitar que as gangues cheguem à sua casa.

Fale com franqueza com seus filhos sobre as consequências do crime e da violência, a drogas e a vida sexual. Consulte a internet e investigue sobre as gangues em sua cidade, as logomarcas e cores que usam, as palavras-chave e outras informações relevantes. Escute as preocupações de seus filhos. Não se dedique somente a dizer o que você pensa, mas permita que eles te digam o que pensam e o que se passa em suas vidas. Separe tempo para conhecer os amigos de seus filhos. Faça esforços para que seu filho tenha atividades supervisionadas em seu tempo livre (cultura, esporte) no lugar de tempo ocioso sem supervisão.

Ao final, convido você a assistir este vídeo que foi preparado como ferramenta para prevenir o envolvimento em gangues. Espero que te seja útil quando converse com seus filhos sobre este tema.

*Roberto Obando é advogado especialista em gestão pública, reforma judiciária e segurança cidadã. É consultor em segurança cidadã do BID. Este post foi publicado originalmente em espanhol no blog Sin Miedos.

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