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Educação a distância no Brasil: como ampliar o acesso?

ideia | 5 Maio 2014

educacao a distancia bid

O primeiro curso a distância no Brasil surgiu em 1900 e ensinava datilografia por correspondência. Quando era criança, os cursos do Instituto Universal eram famosos e o Telecurso 2000 chegava a regiões de difícil acesso por meio da televisão. Pois na última década o modelo de ensino a distância encontrou nas novas tecnologias um aliado que vem ampliando massivamente a oferta de cursos no Brasil. Só no Ministério da Educação são mais de 1000 cursos credenciados.

Prova desta evolução é que a primeira plataforma de cursos online abertos massivos (os MOOCs) com certificação da América Latina está no Brasil, o Veduca. Com 289 cursos disponíveis, a plataforma oferece também cursos livres (e MBA com certificação paga reconhecida pelo MEC), todos com acesso aberto e gratuito. O conhecimento vem de instituições como Universidade de São Paulo, Harvard, Yale e Oxford, em diversas áreas do conhecimento.

Na prática, os MOOCs são cursos curtos, equivalentes a uma disciplina de graduação ou de especialização. No Veduca, os certificados são atestados pelos professores. Há uma capacitação em AdWords, por exemplo, cujo certificado, reconhecido mundialmente por empresas que buscam profissionais de marketing digital, é emitido pelo próprio Google.

Os números demonstram o apetite dos brasileiros na busca por mais conhecimento, sobretudo com certificação. Dos 340 mil estudantes cadastrados na plataforma, 122 mil estão acompanhando um ou mais cursos, entre as modalidades MOOC e MBA. Os mais procurados em 2014 até o momento são Capacitação em AdWords, do Google; Ciência Política, da USP; e Gestão de Projetos, que é parte do MBA em Engenharia e Inovação.

É consenso entre os profissionais de ensino à distância (EAD) que a modalidade não vai substituir o ensino presencial, mas pode potencializá-lo. Entretanto há um caminho importante a percorrer para a expansão do novo EAD. De acordo com a equipe do Veduca, algumas mudanças necessárias incluem:

  • Maior abertura das universidades, principalmente as públicas, para os novos modelos, estimulando o corpo docente a participar cada vez mais de iniciativas de conhecimento aberto;
  • Modernização das leis e regras para a utilização do EAD na graduação, aumentando o percentual aceito em cursos presenciais;
  • Melhoria da infraestrutura de acesso à internet em todo o Brasil, especialmente a de banda-larga.

Estamos falando de um tripé que precisa operar em conjunto: mudança de cultura acadêmica, políticas públicas e infraestrutura. No ensino superior, as matrículas na educação a distância cresceram 12,2% entre 2011 e 2012, enquanto a educação presencial teve um aumento de 3,1%, de acordo com o MEC, demonstrando o espaço para que este tripé se fortaleça. Estes esforços poderiam ajudar significativamente no fortalecimento da educação no Brasil, e possivelmente no alcance de melhores índices nos rankings internacionais.

Acreditando no potencial das ferramentas educacionais a distância, recentemente o BID se uniu à plataforma EdX, fundada pela Universidade de Harvard e pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), para oferecer cursos de desenvolvimento social e econômico que já estão acontecendo.

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