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O mito sobre o custo das energias renováveis

ideia | 14 Abril 2014

energiaverde
Emiliano Detta*

Um dos entraves ao desenvolvimento de energias renováveis no Brasil e na América Latina e Caribe tem a ver com o custo. Estudo da Agência Internacional de Energia (AIE, na sigla em inglês) aponta que a incorporação de fontes renováveis como eólica e solar à matriz de energia elétrica resulta em um aumento de aproximadamente 11% nos custos do sistema. Mas essa é só parte da história. Por gerar 81% de sua energia elétrica por meio de hidrelétricas (na América Latina e Caribe esse porcentual é de 55%), o Brasil já conta com um armazenamento para geração de eletricidade, o que reduz esse custo extra calculado pela AIE. 

Já um outro estudo publicado pelo BID, Benefícios Sociais da Energia Renovável na América Latina e Caribe, revela que o ganho social e ambiental da adição de fontes renováveis ao sistema elétrico equivale a 29 centavos de dólar por quilowatt, o que mais que compensa o custo extra advindo da adoção de novas tecnologias.

O dado é de extrema importância para a região, cujo crescimento econômico vem gerando aumento na demanda por energia e, em consequência, alta na emissão de gases que provocam o efeito-estufa. Além disso, como a América Latina e o Caribe tem um potencial elétrico renovável 22 vezes maior que a demanda projetada para 2050, o fato de os benefícios sociais e ambientais superarem o custo maior das fontes renováveis é um argumento importante para que se promova uma mudança na política de geração de energia que privilegia as fontes fosseis e não renováveis.

Para mudar a matriz energética, a região deveria começar pela eliminação de estímulos e subsídios aos combustíveis fosseis que, além de finitos e altamente poluentes, também não compensam quando levados em considerações aspectos que vão além dos custos exclusivamente.

*Este post é uma adaptação de Matriz energética verde para América Latina: ¿sueño hippie o meta alcanzable?, originalmente publicado no blog do BID sobre mudança climática

** Emiliano Detta é especialista em energia do BID, com foco na mitigação da mudança climática.

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