POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MELHOR
QUALIDADE DE VIDA.

Feito sardinhas enlatadas

ideia | 10 Fevereiro 2014

transporte-público
Paula Castillo Martínez *

Faça o seguinte exercício: dê um passo de cada vez até completar a figura de um quadrado. Agora, você consegue se imaginar neste mesmo espaço, com mais nove pessoas, durante uma viagem de 40 minutos? Pois essa é a experiência de um usuário do metrô de São Paulo durante o horário de pico. A situação é compartilhada por outros latino-americanos. No Chile, o sistema BRT de Santiago de Chile chega a registrar concentrações de mais de sete passageiros por metro quadrado, cena que se repete no sistema Transmilenio, na capital colombiana Bogotá. E estes são apenas alguns exemplos.

Se você imaginou o incômodo da situação ao fazer o exercício, já sabe porque falar de comodidade nos sistemas de transporte público é tão importante. Na América Latina, a maioria das pessoas utiliza o transporte público para se locomover. As estimativas são de que 43% da população da região se desloque por meio de transporte de massa; 29% usam carros ou motocicletas e outros 28% caminham ou utilizam a bicicleta. **

Reconhecer a importância da definição e implementação de padrões que assegurem um mínimo de conforto aos usuários é, felizmente, uma tendência em alta. Embora em 2009 o Programa paraMeio Ambiente das Nações Unidas e o Fundo Global para o Meio Ambiente (respectivamente UNEP e GEF nas siglas em inglês) mencionassem como padrões um mínimo de quatro e um máximo de nove pessoas por metro quadrado, atualmente organizações como Instituto para Transportes e Desenvolvimento de Políticas Públicas (ITDP, na sigla em inglês) propõem multas para sistemas com mais de cinco pessoas por metro quadrado.

Com quantas pessoas a mais você andaria de maneira relativamente cômoda no quadrado que você fez com os pés? O BID está analisando como os usuários avaliam a comodidade e a segurança nos sistemas de transporte público. Os resultados servirão como instrumento para alimentar a discussão sobre as mudanças que devem ser feitas para que a viagem  seja mais confortável e, por que não, para transformar o transporte público da região em uma alternativa real, confiável, cômoda e segura para os que tradicionamente se deslocam de automóvel. A discussão está apenas começando!

* Paula Castillo Martínez é consultora da Vice presidência de Setores e Conhecimento do BID. Este post foi originalmente publicado em Moviliblog, o blog de transporte e mobilidade urbana do Banco.

** CAF (2010).  Observatorio de Movilidad Urbana, dados para 15 áreas metropolitanas. 

 

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