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Por que faltam professores de Física no Brasil?

ideia | 14 Novembro 2013

 professor fisica

Sonia Rodrigues*

Desde 2002, o Brasil vive um apagão de professores de Física. O Ministério da Educação estima que faltam 170 mil professores de Matemática, Física e Química. Existem alunos interessados, existem vagas na universidade pública, sobram empregos, mas faltam professores. Como resolver esse problema?

Em primeiro lugar, é preciso que se divulgue a carreira de professor de Física entre os candidatos potenciais, que precisam de emprego e têm aptidão. Depois, é necessário preparar os estudantes para entrarem num curso de Exatas e conseguirem concluir a graduação.

Para evitar a repetência e a evasão é preciso um processo que atinja o maior número de professores possível. É importante que se invista na criação de Fãs da Física. Pensando nisso, desde 2009 o projeto Sei Mais Física convoca alunos do terceiro ano do ensino médio da rede pública a se prepararem para cursar a licenciatura em Física.

Todos os alunos são testados com as Matrizes de Raven, um teste de inteligência não escolarizado, quase vocacional, para a área de exatas. Aos alunos que se inscrevem no projeto é aberta a participação online na plataforma Almanaque da Rede, ambiente virtual “gamificado” e que valoriza o mérito.

Conteúdos essenciais de Física, Matemática e Redação foram gravados e cerca de 300 vídeo-aulas dessas matérias estão disponíveis no YouTube. Em outubro de 2013, os vídeos contavam com mais de cinco milhões de visualizações.

Além disso, com recursos exclusivamente de pessoas físicas, premiamos com bolsa de 100 reais os alunos que se destacaram no ranking de atividades oferecidas pela plataforma. Entrevistamos cerca de um terço dos alunos que passaram pelo SMF nesses cinco anos: 72% deles estão na universidade e 84% seguindo as carreiras de Exatas, Biomédicas e Engenharias.

O que essa experiência voluntária nos ensina? Que é urgente identificar e apoiar talentos para a docência, e o apoio acadêmico e financeiro precisa combinar metas e mérito. O Sei Mais Física dá bons resultados porque mentores e tutores fazem a gestão de aprendizagem online, enquanto as vídeo-aulas e os jogos permitem que os jovens estudem como e quando podem.

O Ministério da Educação anunciou em seu programa “Quero ser professor” a concessão de bolsas de 150 reais como estímulo para que alunos de ensino médio escolham as licenciaturas nas áreas de Exatas. Apesar da  honra implícita de o MEC ter incorporado nossas ideias ao programa, é importante ter em mente que com a bolsa, mas sem  acompanhamento online, sem rede social e sem meritocracia, corre-se o risco de se gastar recursos públicos e assistirmos as expectativas fracassarem. E isso não apoiaria a superação de lacunas.

*Escritora, doutora em Literatura, especialista em mídias digitais para a aprendizagem.

** O Sei Mais Física surgiu do esforço voluntário e do interesse no ensino de Física de nove doutores professores da Universidade Federal Fluminense, coordenados pelo Prof. Dr. Jorge Sá Martins e pela escritora Sonia Rodrigues (PhD).

1 comentário

  • Enrique René :

    Poderiam permitir quem faz bacharelado lecionar também. Conheço gente que faz licenciatura só pra ter o título e em caso de não conseguir nada, pelo menos cair num colégio e conseguir se manter assim, mas não há paixão em dar aula.
    Tive excelentes professores, mas de todos que tive, o que mais gostei (a turma inteira) não era licenciado.
    Já que há déficit de professores, talvez fosse interessante permitir quem é bacharel lecionar também, através de uma aula-teste para avaliar o desempenho como professor.
    Dou aula há 7 anos, sou bacharelando e tenho grande paixão em lecionar, mas as disciplinas especializadas para alunos de licenciatura são desmotivantes.

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