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Como funciona o transporte público na capital dos EUA

ideia | 27 Agosto 2013

bid transporte washington
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Em muitos dos cartazes levados às manifestações que tomaram conta das ruas do Brasil em junho lia-se que “país rico é país  com transporte público de qualidade” ou variações como “país rico não é país onde pobre tem carro, mas onde os ricos andam de ônibus”.  Os cartazes parecem representar o despertar de uma nova consciência em um país onde o carro, além de meio de transporte, é também um grande símbolo de status.

Tal consciência, de valorização do coletivo e respeito pelo que é de todos, é a maior lição que se pode aprender de lugares como a capital norte-americana, Washington D.C. Aqui, como em quase todo o mundo, o transporte público tem prós e contras, mas a atitude de quem vive na cidade em relação ao transporte de massa me parece bem diferente da que temos, em geral, no Brasil.  

Em Washington, cidadãos de distintas classes sociais usam o ônibus para ir desde o supermercado até restaurantes arrumadinhos; pais (me refiro à figura masculina) usam transporte público para levar seus filhos às creches e escolas e as bicicletas estão por toda a parte, tanto que os ônibus têm um compartimento especial para transportá-las. Abaixo, uma lista do que acredito ser bom e ruim no transporte público de D.C.. Mais importante, porém, é que sigamos incorporando no Brasil essa cultura tão arraigada aqui de apreço e utilização dos transportes de massas.

 Os  prós:

  • A cidade conta com 171 km de metrô, distribuídos por 86 estações. De metrô chega-se a quase todas as partes da região metropolitana, inclusive à Casa Branca;
  • De metrô também se chega com facilidade ao aeroporto local, Ronald Reagan, de onde partem voos domésticos;
  • Há conexão ônibus-metrô para os aeroportos mais distantes que operam voos internacionais;
  • Os aeroportos oferecem um sistema de vans compartilhadas, uma opção mais barata que os  táxis quando as distâncias são longas;
  • A cidade é bem servida por  táxis, que custam no máximo 20 dólares no perímetro urbano;
  • Os ônibus são movidos a gás natural, que polui menos e não emite aquela terrível fumaça preta. Todos eles estão adaptados para receber pessoas com deficiências. Todos, também, têm compartimento especial para transportar bicicletas;
  • Os pontos de ônibus são bem sinalizados e os serviços que informam itinerários e horários funcionam razoavelmente bem. A chegada dos apps ajudou muito nesse quesito;
  • Há serviço de compartilhamento de bicicleta. São mais de 1.800 bikes espalhadas por toda a cidade, muitas vezes ao lado de estações de metrô ou de estádios;

 Os contras:

  • A tarifa do metrô é progressiva. Paga-se de acordo com a distância percorrida, o que leva muitos moradores de áreas mais remotas a utilizarem o carro, já que o gasto diário com metrô pode ultrapassar os dez dólares. Só para efeito de comparação, em Nova York, a tarifa é fixa: 2,50 dólares;
  • Ainda sobre o metrô: atrasos e fechamentos de linha sem aviso prévio são comuns;
  • Muitos motoristas de  táxi não gostam de receber sugestões quanto ao caminho que devem seguir. Não é incomum que os taxis estejam sujos e/ou mal cheirosos;
  • A oferta de ônibus em alguns bairros é limitada e a espera pode ser infinita. Problema universal?
  • Nos ônibus, é preciso ter o valor exato da tarifa: 1,75 dólar. As máquinas que coletam o dinheiro não devolvem troco e se você tiver apenas uma nota de dez dólares, não receberá nada de volta.

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