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O que falta para as brasileiras com espírito empreendedor?

ideia | 2 Agosto 2013

O empreendedorismo da mulher brasileira já rendeu muita trama de telenovela. Os exemplos são muitos, mas para ficar apenas com um dos mais recentes, penso em Monalisa, a determinada cabelereira interpretada por Heloísa Périssé em “Avenida Brasil”. Namorada de um craque do futebol, jamais fez a linha maria-chuteira. Enquanto boa parte dos personagens de “AB” dependia financeiramente do jogador Tufão (Murilo Benicio), Monalisa oferecia um interessante contraponto: o da mulher senhora de si, que luta e empreende.

Graças ao próprio esforço, a personagem triunfou, tornou-se dona de um salão de beleza sempre ocupado e juntou dinheiro o bastante para comprar apartamento na zona sul carioca, onde o metro quadrado é um dos mais caros do mundo. Fora do universo das novelas, são muitas as Monalisas e muitos também os percalços que elas têm que enfrentar.

womanstudy_PT5Levantamento recente do Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin) do BID mostra que no Brasil e na América Latina as mulheres são muito boas em identificar oportunidades de negócios. Fazê-los vingar, no entanto, é mais complicado. O Brasil ocupa a décima posição, em uma lista de 20 países latino-americanos, com melhor ambiente de negócios para mulheres empreendedoras.  O Chile, seguido pelo Peru e pela Colômbia, foi o país melhor colocado.

Segundo o levantamento, preparado pela Economist Intelligence Unit, o maior obstáculo para empreender no Brasil são os riscos operacionais do negócio. Tais riscos envolvem desde a possibilidade de se ter que pagar propina para que um fiscal libere um alvará até os custos com segurança. A incerteza com o cenário econômico também é um complicador no país.

Em comparação a outras nações da região, o Brasil destaca-se positivamente na oferta de crédito a micro, pequenas e médias empresas.  Faltam, contudo, no país programas de incentivo específicos para mulheres que querem empreender.

De um modo geral, as empreendedoras da região precisam de 1) ambientes menos tolerantes com a corrupção, troca de favores e incerteza econômica; 2) oportunidades para se capacitarem para que melhor possam gerir seus negócios; 3) mais e melhor acesso a crédito e 4) serviços como creches, para que possam trabalhar despreocupadas.  Tais condições são essenciais para que mais e mais Monalisas prosperem.

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